Início » Entenda os riscos da lipoenxertia após morte de jovem em clínica de Belo Horizonte
Notícias

Entenda os riscos da lipoenxertia após morte de jovem em clínica de Belo Horizonte

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A morte de Bárbara Laura Souza Félix após lipoenxertia em Belo Horizonte reacendeu o debate sobre os riscos de procedimentos estéticos no Brasil.
  • O Brasil realiza cerca de 2,3 milhões de procedimentos estéticos por ano, liderando rankings internacionais de cirurgias plásticas.
  • A principal hipótese para o caso de Bárbara é embolia gordurosa, uma complicação rara e grave em procedimentos que manipulam gordura corporal.
  • Especialistas destacam a importância de verificar a formação e credenciamento do médico e a necessidade de uma avaliação pré-operatória cuidadosa.

Produzido pela Ri7a – a Inteligência Artificial do R7

Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, morreu após passar por uma lipoenxertia em BH Reprodução/Redes Sociais

A morte de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, após passar por uma lipoenxertia em uma clínica da região Centro-Sul de Belo Horizonte, levanta dúvidas sobre os riscos desse tipo de procedimento estético e ajuda a explicar por que, apesar de ser cada vez mais comum, ele ainda exige cuidados rigorosos antes, durante e depois da cirurgia.

O caso, investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), acontece em um cenário em que o Brasil ocupa posição de destaque mundial no setor de cirurgias plásticas. O país realiza cerca de 2,3 milhões de procedimentos estéticos por ano, segundo dados do setor, e lidera rankings internacionais de cirurgias como lipoaspiração e enxerto de gordura.

Para entender os riscos envolvidos nesse tipo de procedimento e os critérios de segurança recomendados, a reportagem conversou com a cirurgiã plástica Raquel Virgínia, secretária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Minas Gerais (SBCP-MG), que atua na área há 25 anos.

Alto volume de cirurgias aumenta visibilidade de casos graves

Segundo a especialista, o grande número de procedimentos realizados no país faz com que casos de complicações graves tenham forte repercussão pública.

“O Brasil é um país que realmente tem um volume muito elevado de cirurgias plásticas, principalmente estéticas. Quando acontece um caso com essa repercussão, o holofote acaba sendo muito grande”, afirma.

Ela ressalta, porém, que toda cirurgia envolve riscos, inclusive quando realizada dentro dos protocolos médicos recomendados. “Qualquer procedimento cirúrgico pode apresentar intercorrências. Isso não é exclusivo da cirurgia plástica”, explica.

O que é embolia gordurosa?

A principal hipótese levantada no caso de Bárbara é a de embolia gordurosa, uma complicação rara, mas grave, que pode ocorrer em procedimentos que manipulam gordura corporal, como lipoaspiração e lipoenxertia.

Nesses casos, pequenas partículas de gordura podem atingir a corrente sanguínea e comprometer órgãos vitais, principalmente os pulmões.

“Ela é mais comum justamente em procedimentos em que há manipulação da gordura. É um evento raro, mas com mortalidade muito alta. E, infelizmente, não é algo totalmente previsível”, explica Raquel Virgínia.

Segundo a médica, esse tipo de risco costuma constar nos termos de consentimento assinados pelos pacientes antes da cirurgia.

Investigação envolve histórico da clínica

O caso ganhou ainda mais repercussão após surgirem informações de que a clínica e o médico responsável já teriam sido citados em outras ocorrências envolvendo complicações graves em anos anteriores.

Enquanto as investigações avançam, especialistas reforçam a importância de verificar a formação e o credenciamento do profissional responsável antes de qualquer procedimento estético.

“Nós temos no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica uma ferramenta em que o paciente pode pesquisar o nome do médico e verificar se ele é credenciado. Isso significa que ele cumpriu toda a formação necessária em cirurgia geral e cirurgia plástica”, orienta a secretária da SBCP-MG.

Ela também destaca que o ambiente cirúrgico deve possuir estrutura adequada para lidar com emergências médicas.

Quando o médico precisa dizer “não”

Outro ponto considerado fundamental para a segurança do paciente é a avaliação pré-operatória.

Segundo a especialista, o processo deve incluir exames, avaliação cardiológica, consulta anestésica e análise individual das condições de saúde do paciente.

“Fazer um pré-operatório bem feito e, às vezes, até contraindicar a cirurgia é extremamente importante”, afirma.

Ela explica que o desejo estético não pode se sobrepor às condições clínicas e aos riscos envolvidos.

Intercorrência médica ou negligência?

A principal dúvida agora é se a morte de Bárbara ocorreu em decorrência de uma complicação médica imprevisível ou se houve falha no atendimento.

“Às vezes a intercorrência faz parte do próprio ato cirúrgico, mesmo quando tudo foi feito corretamente”, pondera a médica.

O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) deve ajudar a esclarecer a causa da morte e apontar se houve negligência, imprudência ou imperícia durante o procedimento ou no atendimento posterior.

Enquanto isso, o caso reforça um alerta importante: embora popularizados e cada vez mais comuns, procedimentos estéticos continuam sendo cirurgias e exigem rigor técnico, avaliação cuidadosa e estrutura adequada para garantir a segurança dos pacientes.

Confira a nota do médico responsável pelo procedimento na íntegra:

“Lamentamos profundamente o falecimento da paciente Bárbara Laura Souza Félix, ocorrido nesta terça-feira. Bárbara foi submetida à cirurgia após a realização das avaliações e dos exames pré-operatórios indicados, que apontavam condições adequadas para o procedimento, conforme os protocolos médicos vigentes.

Durante o procedimento, prestamos toda a assistência necessária. Apesar dos esforços e da adoção de todas as medidas clínicas e cirúrgicas disponíveis, lamentavelmente Bárbara não resistiu. Diante da situação, as autoridades competentes e o Instituto Médico Legal foram prontamente acionados por nossa equipe. Neste momento, aguardamos a conclusão do laudo pericial, que contribuirá para o esclarecimento dos fatos.

Os familiares acompanharam a evolução do quadro desde os primeiros momentos e foram devidamente informados ainda no ambiente hospitalar, e nossa equipe segue à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários. Reiteramos nossa solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara diante desta perda profundamente dolorosa.”

Confira a nota do hospital na íntegra:

“O Hospital manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento da paciente ocorrido após procedimento cirúrgico. Neste momento de imensa dor, nossa prioridade é oferecer acolhimento, respeito e todo o suporte necessário à família. Desde o primeiro momento, o hospital tem mantido postura de transparência, disponibilizando prontamente à família apoio psicológico e as documentações solicitadas, incluindo exames préoperatórios, registros assistenciais e termos de consentimento devidamente assinados.

Todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram observados com rigor pela equipe envolvida e todos os recursos necessários para atendimento da urgência estavam presentes e foram devidamente utilizados.

A avaliação preliminar da Comissão de Óbito do hospital levantou a hipótese de embolia gordurosa, uma complicação grave e descrita na literatura médica, que pode ocorrer em procedimentos que envolvem manipulação e enxertia de tecido adiposo, como a lipoescultura. Trata-se de uma condição que, embora incomum, é reconhecida como risco inerente a esse tipo de cirurgia, inclusive prevista no termo de consentimento informado assinado pela paciente.

De forma simplificada, a embolia gordurosa pode ocorrer quando pequenas partículas de gordura alcançam a circulação sanguínea e comprometem a circulação pulmonar, prejudicando a oxigenação do organismo. Em alguns casos, sua evolução pode ser súbita, grave e irreversível, mesmo diante da adoção de medidas preventivas e assistenciais adequadas. É importante ressaltar, contudo, que até o momento se trata de uma hipótese diagnóstica preliminar, ainda dependente da confirmação pelo laudo oficial do Instituto Médico Legal.

O Hospital IMO lamenta profundamente a perda de uma vida e se solidariza com os familiares e amigos da paciente. Também reforça sua confiança na seriedade, competência e compromisso ético dos profissionais envolvidos, incluindo o Dr. Pablo Meneghetti, que já loca salas de cirurgia no hospital a mais de 15 anos, é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é referência em estética corporal, e possui plena competência e qualificação técnica para a realização do procedimento, sendo reconhecido por seu elevado padrão técnico, zelo e dedicação aos seus pacientes.

Neste momento, o hospital entende que a dor da família deve ser tratada com máximo respeito, serenidade e responsabilidade, evitando conclusões precipitadas antes da conclusão das apurações oficiais.”

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Fonte: "site:r7.com "Belo Horizonte"" – Google Notícias